domingo, 10 de fevereiro de 2008

Assassinatos natalinos - parte 9(by Jô)

Jasmine passaria alguns minutos sob o chuveiro, permitindo que Átila banhasse seu corpo, que parecia tão pequeno e frágil se comparado ao dele. Quando ele terminasse, faria o mesmo, interrompendo os toques apenas para pousar leves beijos nos ombros ou no pescoço do companheiro.
Sabia que não iria além daquilo, não naquela noite. Sabia também que Átila compreenderia. Era visível o cansaço que sentia. Visível na expressão vaga e perdida nos olhos verdes. Visível nas leves sombras que já marcavam a região sob os olhos da irlandesa. Facilmente perceptível na crescente tendência de Jasmine a se retrair e se afastar. Não de maneira física, mas emocionalmente.
Saiu do chuveiro pouco depois de Átila e esperou que ele saísse do banheiro. Mesmo já estando seca, ainda dedicou um tempo mais longo que o necessário ao processo de enxugar os cabelos. Deixou a toalha esticada para secar e passou ao quarto, seguindo para o armário. Abriu primeiramente sua parte e apanhou uma calcinha branca, vestindo-a distraidamente. Em seguida, abriu a gaveta de camisas de Átila e escolheu uma ao acaso, vestindo a peça com lentidão deliberada. Costumava vestir alguma peça dele quando precisava de conforto e da sensação de segurança que o próprio companheiro lhe proporcionava. Era como se a personalidade dele estivesse impregnada no perfume suave que se evolava de suas roupas.
A ruiva voltou ao seu próprio lado do guarda-roupas e se mirou no espelho preso a uma das portas por um longo momento. Em seguida, fechou o armário e se dirigiu à cama, no mesmo silêncio que mantinha desde o banho.
Só depois de estar deitada de seu lado da cama, com Átila deitado próximo, foi que encarou os olhos do brasileiro. Apoiou o peso em um cotovelo, usando a outra mão para acariciar o rosto e o peito do homem. Quando finalmente falou, a frase saiu lenta, como se não tivesse muita certeza de suas palavras.
- Estou pensando em voltar a tomar a pílula - murmurou, olhando os olhos dele como se esperasse ver algo ali. Sabia, e muito bem, que a idéia de interromper o uso do medicamento quando haviam resolvido morar juntos não fora dele, mas sua. Ainda tinha dúvidas sobre o que Átila pensava a respeito. Teria concordado apenas por saber que aquela era uma necessidade dela? Ou também desejaria um filho? Com um som parecido a um gemido de desânimo e confusão, Jasmine deixou que o apoio do cotovelo lhe faltasse e deitou a cabeça no peito de Átila, acariciando-o no pescoço com as pontas dos dedos. Tentava não pensar nas crianças assassinadas, mas a cada vez que fechava os olhos, os retratos passavam por sua mente como uma macabra apresentação de slides. Ainda assim, manteve os olhos fechados, apenas esperando que ele dissesse algo, ou não dissesse nada.

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