Mesmo grande, Átila era bastante silencioso. Chamava a atenção das pessoas normalmente: era bastante moreno, tinha os olhos amendoados e sua compleição física era taurina, robusta e definida como a de um halterofilista. Não era exageradamente grande, mantinha a proporcionalidade daqueles que eram fortes por mérito próprio, e não porque valeu-se de substâncias escusas. Abriu a porta lentamente, olhando para dentro do apartamento. Os olhos castanhos refulgiram sob o boné preto que usava naquele instante quando viu a namorada deitada em meio às fotos. Passou pela porta e trancou-a atrás de si.
Tirou o boné da cabeça, revelando o couro cabeludo raspado. Não gostava de ter cabelo. Raspava a cabeça desde os dezesseis anos. Abriu o casaco de nylon grafite que usava, revelando uma camiseta regata branca, ornada de frescas gotas de suor aqui e ali, e um coldre de couro marrom. As calças jeans eram presas ao corpo não por cinto, mas por um par de suspensórios vermelhos, que se destacavam sobre a camiseta branca. Levou a mão direita ao lado esquerdo do corpo, sob a axila, onde o coldre mantinha a arma que usava em serviço. Tirou a pistola, destravou, desmuniciou e tornou a travar a arma, colocando-a ao lado da arma de Jasmine. Enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans, tirando de lá o pequeno molho com as chaves do carro e de casa, alguns cents e um pacotinho de goma de mascar. Pôs tudo isso junto de sua arma. Lentamente, fazendo o máximo de silêncio que seu par de pesados coturnos permitiam, foi caminhando na direção do quarto. Estava louco por um banho. Observava a companheira de soslaio enquanto caminhava.
A primeira coisa que chamou a atenção do homem para aquela garota foi seu nome. Jasmim era o nome da filha que Átila deixara no Brasil - não a via desde que ela tinha três anos de idade. Claro, o fato de ser ruiva e ter olhos verdes também contribuiu. Começaram a trabalhar juntos, e em pouco tempo surgiu entre os dois uma amizade inquestionavelmente arrebatadora. Em pouco tempo, as coisas evoluíram. Conhecia-a há dois anos, e estavam morando juntos há três meses. A diferença de idade chamava um pouco de atenção - Átila estava com quarenta e dois anos recém-completos -, mas ajudava na administração do relacionamento. Choque cultural? Praticamente inexistente. Ainda que fosse brasileiro, e disso se orgulhasse ao ponto de tatuar a bandeira da terra pátria no ombro direito, vivia há muitos anos em Nova York. Raros eram os policiais honestos no Brasil, sabia disso por ter feito parte da Polícia Civil do Distrito Federal, e, lá nos Estados Unidos, essa quantidade parecia ser ligeiramente maior. Ao menos tivera a sorte de ter caído em uma delegacia pequena, onde o conflito de egos e a fogueira de vaidades não costumavam interferir tanto nos trabalhos da equipe.
Tinha um apartamento naquele mesmo prédio, onde a maioria dos policiais da delegacia onde trabalhava também moravam. Era bem mais fácil quando queriam fazer confraternizações, e Átila sempre adorava organizá-las. A área de lazer do condomínio própria para esse tipo de ocasião ficava no terraço, e era bastante aconchegante. O apartamento fora alugado para um casal mexicano quando ele resolveu ir morar com Jasmine. A renda extra era sempre bem-vinda, mesmo que não passasse nenhum tipo de aperto financeiro naquela cidade. O trabalho era bem remunerado, disso não podia reclamar.
Sentou-se na cama que dividia com ela, puxou para cima as barras das calças e começou a desamarrar os coturnos, cujos canos altos chegavam à metade das panturrilhas do brasileiro. Tirou os calçados pesados dos pés, retirando as meias em seguida e as colocando sobre as botas. Tirou o casaco de nylon e jogou na direção da cadeira da escrivaninha, largando-o por lá por enquanto. Tirou a camiseta regata e pegou novamente as meias, colocando essas peças no cesto de roupas sujas que havia dentro do banheiro. Descalço, usando somente as calças, os suspensórios colando-se aos ombros levemente suados, saiu do quarto e foi até a cozinha. Será que Jasmine já teria acordado?
Tirou o boné da cabeça, revelando o couro cabeludo raspado. Não gostava de ter cabelo. Raspava a cabeça desde os dezesseis anos. Abriu o casaco de nylon grafite que usava, revelando uma camiseta regata branca, ornada de frescas gotas de suor aqui e ali, e um coldre de couro marrom. As calças jeans eram presas ao corpo não por cinto, mas por um par de suspensórios vermelhos, que se destacavam sobre a camiseta branca. Levou a mão direita ao lado esquerdo do corpo, sob a axila, onde o coldre mantinha a arma que usava em serviço. Tirou a pistola, destravou, desmuniciou e tornou a travar a arma, colocando-a ao lado da arma de Jasmine. Enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans, tirando de lá o pequeno molho com as chaves do carro e de casa, alguns cents e um pacotinho de goma de mascar. Pôs tudo isso junto de sua arma. Lentamente, fazendo o máximo de silêncio que seu par de pesados coturnos permitiam, foi caminhando na direção do quarto. Estava louco por um banho. Observava a companheira de soslaio enquanto caminhava.
A primeira coisa que chamou a atenção do homem para aquela garota foi seu nome. Jasmim era o nome da filha que Átila deixara no Brasil - não a via desde que ela tinha três anos de idade. Claro, o fato de ser ruiva e ter olhos verdes também contribuiu. Começaram a trabalhar juntos, e em pouco tempo surgiu entre os dois uma amizade inquestionavelmente arrebatadora. Em pouco tempo, as coisas evoluíram. Conhecia-a há dois anos, e estavam morando juntos há três meses. A diferença de idade chamava um pouco de atenção - Átila estava com quarenta e dois anos recém-completos -, mas ajudava na administração do relacionamento. Choque cultural? Praticamente inexistente. Ainda que fosse brasileiro, e disso se orgulhasse ao ponto de tatuar a bandeira da terra pátria no ombro direito, vivia há muitos anos em Nova York. Raros eram os policiais honestos no Brasil, sabia disso por ter feito parte da Polícia Civil do Distrito Federal, e, lá nos Estados Unidos, essa quantidade parecia ser ligeiramente maior. Ao menos tivera a sorte de ter caído em uma delegacia pequena, onde o conflito de egos e a fogueira de vaidades não costumavam interferir tanto nos trabalhos da equipe.
Tinha um apartamento naquele mesmo prédio, onde a maioria dos policiais da delegacia onde trabalhava também moravam. Era bem mais fácil quando queriam fazer confraternizações, e Átila sempre adorava organizá-las. A área de lazer do condomínio própria para esse tipo de ocasião ficava no terraço, e era bastante aconchegante. O apartamento fora alugado para um casal mexicano quando ele resolveu ir morar com Jasmine. A renda extra era sempre bem-vinda, mesmo que não passasse nenhum tipo de aperto financeiro naquela cidade. O trabalho era bem remunerado, disso não podia reclamar.
Sentou-se na cama que dividia com ela, puxou para cima as barras das calças e começou a desamarrar os coturnos, cujos canos altos chegavam à metade das panturrilhas do brasileiro. Tirou os calçados pesados dos pés, retirando as meias em seguida e as colocando sobre as botas. Tirou o casaco de nylon e jogou na direção da cadeira da escrivaninha, largando-o por lá por enquanto. Tirou a camiseta regata e pegou novamente as meias, colocando essas peças no cesto de roupas sujas que havia dentro do banheiro. Descalço, usando somente as calças, os suspensórios colando-se aos ombros levemente suados, saiu do quarto e foi até a cozinha. Será que Jasmine já teria acordado?
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